
Convertido do siquismo, pregou Cristo vestindo o hábito de sadhu indiano — uma fé encarnada na própria cultura do país.
Sundar Singh nasceu em 3 de setembro de 1889, no norte da Índia, numa família sique — religião que combina elementos do islã e do hinduísmo. Frequentou uma escola primária dirigida por missionários americanos, onde ouvia diariamente a leitura das Escrituras, mas as considerava falsas e chegou a queimar publicamente uma cópia dos evangelhos.
Aos 14 anos, perdeu a mãe — perda que o deixou profundamente revoltado. Em dezembro de 1903, num momento de desespero, pediu a Deus que se revelasse a ele, se de fato existisse. Segundo seu próprio relato, seu quarto se encheu de luz e uma figura lhe apareceu dizendo: "Por quanto tempo ainda me negará? Eu morri por você." Sundar caiu de joelhos, tomado por uma paz que nunca havia sentido. Apesar da forte oposição da família, foi batizado no próprio aniversário de 16 anos, em 1905.
Em outubro de 1906, Sundar Singh vestiu o turbante e a túnica cor de açafrão de um sadhu — um asceta itinerante, figura reconhecida e respeitada em toda a Índia — e começou a pregar Cristo dessa forma, viajando por diversas regiões do país e enfrentando perseguição constante. Comunidades cristãs passaram a chamá-lo de "o apóstolo dos pés sangrentos". Chegou a estudar brevemente para a ordenação anglicana, mas não se adaptou às regras que considerava estranhas ao evangelho de que a Índia precisava — para ele, a mensagem cristã deveria se expressar de forma genuinamente indiana, não importada de fora.
Entre 1918 e 1922, Sundar Singh viajou por diferentes países relatando suas experiências e visões, tornando-se um dos rostos mais conhecidos do cristianismo indiano no mundo ocidental. De volta à Índia, escreveu oito livros, originalmente em urdu — entre eles, "Aos Pés do Mestre" (1922), um dos mais lidos. Suas últimas cartas conhecidas datam de abril de 1929, quando partiu em direção ao Tibete e nunca mais foi visto; presume-se que tenha morrido logo depois. Sua vida permanece um exemplo raro de uma fé cristã profundamente encarnada na cultura indiana, sem perder nada de sua fidelidade ao evangelho.