
O jovem erudito de Cambridge que traduziu o Novo Testamento para urdu, persa e árabe antes de morrer aos 31 anos, exausto pelo trabalho.
Nascido em 1781 na Cornualha, Inglaterra, Henry Martyn era um dos alunos mais brilhantes de sua geração em Cambridge — o tipo de jovem para quem uma carreira acadêmica confortável parecia certa. Foi convertido sob a pregação de Charles Simeon e, influenciado pelo exemplo de missionários como David Brainerd e William Carey, decidiu abandonar essa trajetória segura por um chamado bem mais custoso.
Martyn se apaixonou profundamente por uma jovem chamada Lydia Grenfell, mas, convicto de que o casamento tornaria inviável a vida de missionário que sentia ser seu chamado, manteve o voto de celibato em nome da missão — uma decisão que lhe custou grande sofrimento pessoal ao longo de toda a vida. Ordenado sacerdote anglicano, embarcou como capelão da Companhia Britânica das Índias Orientais e chegou à Índia em 1805.
Na Índia, Martyn conheceu William Carey, que o iniciou no trabalho de tradução bíblica. Mesmo tendo de atender às obrigações de capelão junto aos funcionários da companhia e suas famílias, dedicou-se com fervor a pregar em postos militares — inclusive para indianos —, abrir escolas e, sobretudo, traduzir o Novo Testamento para o urdu, o persa e o árabe, as três principais línguas do mundo muçulmano da época.
Com a saúde já fragilizada, viajou ao Irã para aprofundar o trabalho de tradução e tentou, depois, retornar à Inglaterra por terra. Morreu na Turquia em 1812, aos 31 anos, sem nunca ter revisto sua terra natal. Seu diário pessoal, publicado após sua morte, tornou-se leitura formativa para gerações de missionários nos séculos seguintes — um lembrete de que traduzir as Escrituras para quem ainda não as tem em sua própria língua continua sendo, dois séculos depois, um chamado que vale o preço mais alto.