Um país do tamanho de um continente, com climas e paisagens radicalmente diferentes.
A Índia é o sétimo maior país do mundo em área — quase um terço maior que a soma de todos os países da União Europeia. Nessa extensão cabem desertos, cordilheiras, litorais tropicais e planícies férteis, o que torna qualquer generalização sobre "o clima indiano" tão imprecisa quanto falar em "o clima sul-americano".
Ao norte, o Himalaia forma uma barreira natural com os picos mais altos do planeta, incluindo trechos no território indiano que ultrapassam 7 mil metros. Ao sul dessa cordilheira, a vasta planície indo-gangética — cortada pelo rio Ganges — concentra a maior densidade populacional do país. Mais ao sul ainda, o platô do Decão e as duas cadeias de Gates (Ocidentais e Orientais) descem até um litoral tropical de mais de 7 mil quilômetros, banhado pelo mar Arábico a oeste e pela baía de Bengala a leste.
Em vez de quatro estações no sentido ocidental, boa parte da Índia vive quatro períodos climáticos bem marcados: o inverno (dezembro a fevereiro), mais ameno; o verão (março a maio), quente e seco na maior parte do território; a monção de verão (junho a setembro), quando ventos carregados de umidade do oceano Índico trazem entre 70% e 90% de toda a chuva anual do país em poucos meses; e o pós-monção (outubro e novembro), de transição. A monção não é só um fenômeno climático — é o evento que organiza o calendário agrícola de centenas de milhões de famílias.
Nenhum outro elemento geográfico molda tanto a vida indiana quanto seus grandes rios. O Ganges, o mais venerado e o mais longo do país, percorre cerca de 2.525 km desde a geleira de Gangotri, no Himalaia — formado pela confluência dos rios Bhagirathi e Alaknanda em Devaprayag, no estado de Uttarakhand — até desaguar na baía de Bengala, já em território de Bangladesh, onde recebe o nome de Padma. O Brahmaputra nasce no Tibete, atravessa quatro países e percorre cerca de 916 km dentro da Índia, entrando pelo estado de Arunachal Pradesh, onde é conhecido como Dihang. Já o Godavari, apelidado de "Ganges do Sul", com 1.465 km, é o maior rio que corre inteiramente dentro do território indiano, sem cruzar fronteiras internacionais; o Krishna, com 1.400 km, nasce em Mahabaleshwar e atravessa o planalto do Decão. Juntos, esses sistemas fluviais irrigam as terras que alimentam a maior parte da população do país.
As duas regiões onde este projeto atua ficam no leste do país, na costa da baía de Bengala. West Bengal tem no delta do Ganges-Brahmaputra uma das regiões mais férteis e densamente povoadas do planeta — é ali, na fronteira com Bangladesh, que fica o Sundarbans, a maior floresta de mangue contínua do mundo. Odisha, mais ao sul, combina litoral, planalto interior e uma robusta tradição agrícola. Ambas as regiões enfrentam monções intensas entre junho e setembro e ficam na rota de ciclones que se formam na baía de Bengala, mais frequentes entre abril e dezembro — depois do ciclone Odisha de 1999, um dos mais mortais já registrados na região, o estado investiu pesadamente em sistemas de alerta antecipado e abrigos, reduzindo de forma significativa o número de vítimas em ciclones mais recentes.
Demografia, panorama religioso, povos e línguas — a Índia explicada em números.
CotidianoMoeda, comércio informal e os hábitos de consumo que sustentam bilhões de trocas diárias.
CostumesPequenos gestos que fazem grande diferença na etiqueta social indiana.